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A violência urbana através da manchete

( * ) José Wilson Furtado

 

 

O SAMBA ENREDO E A LEI

José Wilson Furtado

Um fato interessante foi registrado no carnaval de 1994 e digno de registro. Os cantores Neguinho da Beija Flor e Preto Jóia intérpretes de sambas-enredos de escolas de samba, foram convidados a prestar esclarecimentos na Procuradoria Geral da Justiça do Rio de Janeiro, sobre referências que fizeram a banqueiros do bicho, na gravação do disco com as músicas do carnaval deste ano. Na abertura do samba-enredo da Beija Flor, Neguinho exaltava Aniz Abrão David, o Anísio , enquanto Preto Jóia fazia alusão a Luís Pacheco Drumond, o Luizinho da Imperatriz. Como Luizinho e Anísio estão presos, o Promotor de Justiça carioca José Augusto de Araújo Neto considerou as referências como "Apologia a Criminosos" – crime previsto no Código Penal Brasileiro. Na abertura do samba-enredo da Beija Flor, Neguinho diz: Alô Anísio quem te conhece sabe quem você é e a família da Beija Flor te ama". Já Preto Jóia fazia referência direta ao contraventor Luizinho, ao afirmar na abertura do samba-enredo da Imperatriz: "Luís Pacheco Drumind. A força da tua presença está muito viva dentro de cada nós". Anísio cumpre pena de seis anos de reclusão no Instituto Penal Vieira Ferreira Neto, em Niterói, enquanto Luizinho está no Presídio Ari Franco, em Água Santa, também cumprindo pena de seis anos. Os dois contraventores foram condenados em maio de 1993 pela intrépida juíza Denise Frossard, por formação de quadrilha armada. Em reportagem que dera ao Jornal Nacional edição do dia 28.01.94, Neguinho da Beija Flor disse que já sabia da decisão as Procuradoria, mas que ainda não havia decidido o que fazer. "Não entendendo muito disso", afirmou. "Nem sei se Anísio que eu falo é aquele Anísio lá de Nilópolis". O Procurador Araújo Neto fiscalizou a Escola de Samba Estácio de Sá, que segundo os comentários iria colocar na Marquês de Sapucaí um carro alegórico homenageando o seu patrono, o banqueiro de bicho, José Petros. O Zinho, também condenado pela Juíza Denise Frossard. O presidente da Estácio de Sá, Acyr Pereira Alves, também depôs sobre a matéria. Os filhos de José Petros, o Zinho, o porta-voz da contravenção, publicaram notas nos principais jornais do Rio com o título "Que Justiça é essa?", na qual destacam o fato de o pai nunca ter andado com arma e ter sido condenado por formação de quadrilha armada. Os quatro – Jorge (médico), Ronaldo (engenheiro), Ana (advogada) e Mauro (professor) declararam no Programa da Hebe Camargo, que Zinho jamais se envolveu numa briga e que eles, como adultos, suportam a injustiça sofrida pelo pai, mas que seus filhos perguntam sempre pelo avô e não sabem como responder as dúvidas dos colegas de escola. Segundo informações da Agência Estado de São Paulo (AE, 28.01.94), o Procurador Geral de Justiça no Rio de Janeiro, Antônio Carlos Biscaia ameaçou a apreensão do disco com os sambas-enredos das escolas, caso ficasse comprovada a apologia aos contraventores do jogo do bicho, feita pelos cantores Neguinho da Beija Flor e Preto Jóia; este por sua vez disse a imprensa que na realidade fez alusão ao contraventor Pacheco Drumond, na gravação do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, aliás a campeã do sambódromo: "Falei porque durante muitos anos ele foi patrono da escola. Se eu soubesse que ia dar essa confusão, não teria falado". Segundo a Agência AFP, os sambistas integrantes da Escola de Samba Caprichosos de Pilares iriam desfilar com um carro alegórico contendo figuras do ex-presidente Collor de Mello, ao lado de Paulo César Farias e do deputado João Alves (BrJol AFP) e, não houve tanta celuma por quê? O Código Penal em seu artigo 287, prescreve in verbis: "Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime". Entendemos, como um provinciano atrevido, que houve um certo exagero por parte do Ministério Público carioca, uma vez que, o elogio ao contraventor do artigo supra. Isto é Brasil. (TRIBUNA DO CEARÁ, 24/02/94)

 

 

DA VIOLA À PISTOLA

José Wilson Furtado

No dia 05 de novembro de 1993, a cidade de João Pessoa, na Paraíba, Nordeste brasileiro, virou palco de bangüe-bangue à italiana, semelhante ao tradicional filme "Giorno del Ira" com Giuliano Gemma, quando então, na tarde daquele dia, o governador Ronaldo Cunha Lima, armado de revólver, calibre 38, de inopino, disparou dois (2) balaços contra o ex-governador do Estado, o intelectual Tarcísio Burity, para em seguida, demonstrando o seu comportamento pusilânime, fugiria do loccus delicti, em direção à Campina Grande, sendo perseguido pelo aguazis da Polícia Federal paraibana e preso em flagrante, cujo auto de flagrante atendeu aos requisitos legais, visto que não houve a quebra da continuidade imediatamente objetiva dos fatos, conforme semântica Legis do art. 302 do Código de Processo Penal. Posteriormente, tentando eximir-se da prática de seu comportamento vandálico e homicídico, Ronaldo Cunha asserverou que somente assim, agira, impulsionado pelo ímpeto da violenta emoção. O caso Burity, como assim ficou conhecido, chocou a todos os paraibanos , que desconheciam este lado deletério do atual Governador. Ronaldo Cunha é uma pessoa querida em Campina Grande, onde nasceu. Nesta cidade, a 135 Km da capital, João Pessoa, ele costuma andar a pé pelas ruas, em segurança. Para de bar em bar, tomar cachaça com eleitores e bater papo. É poeta e faz literatura de cordel. Na década de 60, Ronaldo Cunha foi vereador, deputado estadual e Prefeito de Campina Grande. Foi cassado pelo regime militar em 69, quarenta e dois dias após assumir o mandato de Prefeito. Sem os direitos políticos, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a advogar, chegando a obter o título de advogado do ano em 1981. No ano seguinte, com os direitos políticos readquiridos, venceu a eleição para Prefeito de Campina Grande.

Elegeu o filho Cássio Cunha Lima, deputado federal em 1986. Em 1990, ganhou a eleição para Governador, e o mais curioso, tendo como seu principal aliado, o ex-governador Tarcísio Burity, que Ronaldo tentou matá-lo. Depois da política, o principal hobby de Ronaldo Cunha é a literatura de cordel. Seu jeito boêmio, o credenciou como poeta da noite, como demonstram os versos que fez, pedindo desculpas à mulher, por gostar tanto da noite: "Eu peço tanto amor, que se acostume/com meu modo boêmio de viver/o diabo é que você não tem ciúme, tem raiva deste meu jeitão de ser. A noite é pura, amor./Só dá prazer, os bares, os amigos de costume./ A lua, a rua, a praça, um vaga-lume/ brincando de apagar e de acender.

As vagabundas ou as bundas vagas,/mulheres mal amadas e mal pagas,/estas o bom boêmio não as vê./ O bom da noite, amor, é a boemia/ e a certeza de amanhecer o dia/ abraçado de novo com você". De modo tresloucado, na fatídica tarde do dia 05/11/93, Ronaldo da Cunha esquece a veia poética e transforma-se num pistoleiro, atirando no rosto de Tarcísio Burity, sem oferecer-lhe a menor chance de revide, e o mais repugnante, ainda alegando legítima defesa. Se fosse um homem comum, Ronaldo ainda estaria preso. Todavia, como estamos no País da impunidade e o governador Ronaldo Cunha, teve o seu flagrante relaxado por uma liminar concedida pelo ministro José Cândido,do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem examinar o mérito do recurso de hábeas corpus, impetrado pelo advogado Saulo Ramos. Evaristo de Morais, um dos grandes advogados deste País, contratado pela família de Ronaldo da Cunha, declarou em entrevista ao Jornal O Globo,08/11/93, que seu cliente atirou no ex-governador Tarcísio Burity, após rápida discussão e porque sentiu-se ameaçado e insultado pelo adversário político no interior do Restaurante Gulliver, na Praia de Timbaú. A Câmara dos Vereadores de Campina Grande ofereceu uma comenda em homenagem ao governador Ronaldo Cunha, e não se espantem se no Tribunal do Júri o Governador não for absolvido pelo carpideirismo. (TRIBUNA DO CEARÁ, 10/03/94)

AMOR E PRECONCEITO

José Wilson Furtado

Em Atos, 10, 34 – vamos encontrar a celebérrima lição de igualdade entre os homens: "E abrindo a boca Pedro disse: "Reconheço em verdade que Deus não faz acepção de pessoas". Será que todos nós estamos realmente seguindo a lição do mestre do Universo? Quantas vezes, o nosso egocentrismo falou mais alto e aviltamos o nosso semelhante, como se o sol não nascesse para todos. Em Porto Alegre, no dia 08 de março de 1994, o comerciante palestino Mahamud Ali Mahamud Mustafá de 60 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri gaúcho, a 16 anos de reclusão, por ter assassinado a própria filha. Contra a vontade do pai, Sara Mahamud, de 27 anos, namorava um brasileiro de origem alemã, o que acabou provocando o assassinato. O veredito popular, agradou a população de Porto Alegre, onde morava a vítima. A decisão do júri surgiu depois de 12 (doze) horas de trabalhos estafantes através do Conselho de Sentença, composto por 5 (cinco) homens e 2 (duas) mulheres, na 1ª Vara Judicial do Fórum da Cidade presidido pelo juiz Fernando Flores Cabral Júnior. Acusado pelo promotor Francisco Farias Guimarães e defendido por três advogados – Eraldo Ribas, Remim Molim e Gilberto Guedes, ele foi condenado por homicídio qualificado, sem direito de apelar em liberdade, e, sendo levado para o presídio de São Leopoldo, de uma cidade vizinha. O preconceito teve seu início, quando Mustafá desaprovou o namoro de Sara com um rapaz de procedência alemã. Em 1992, uma tragédia internacional, versando sobre o preconceito, abalaria os quadrantes de todo o universo, quando a jovem Trina Iasa, de apenas 16 anos, fora morta, barbaramente pelos pais, simplesmente porque queria viver uma típica adolescente americana. Desejava ser livre, trabalhar fora de casa e namorar alguém que não fosse de sua religião. O Juiz Presidente do Tribunal do Júri de Saint Louis (EUA), Charles A. Shaw, condenou os pais de Tina Isa, o Palestino Zein Isa e sua mulher, a brasileira Maria Isa, a pena máxima da morte, sentença datada de 19/11/1991. Transferidos para penitenciárias de condenados à pena máxima no Missouri, juntando-se a outros condenados no Corredor da Morte, eles serão executados por uma injeção letal que introduzirá em suas veias três (3) substâncias químicas que provocam a morte rapidamente, mas antes tiram a consciência dos executados (New York Times, 01/12/92). Em Fortaleza, recentemente um júri emocionou aos cabeças chatas. No dia 13 de maio de 1993, depois de oito (8) horas de trabalho, com a réplica, o 3º Tribunal do Júri, sob a presidência do pundunoroso Magistrado e escritor Celso Girão, o Conselho de Sentença, por maioria de votos (5X2), condenou o subtenente da Polícia Militar do Ceará José Barroso do Nascimento, a uma pena concreta de 12 anos e meio de reclusão, pelo assassinato da vítima Francisco Linhares Rodrigues. O crime praticado pelo sub-oficial da PM, ocorreu no dia 23/05/88, às 18 horas, na Rua Jaime Benévolo no Bairro de Fátima, tudo porque o militar em referência não concordava que sua filha Marília Pires Barroso namorasse com a vítima que era paraplégico. Este júri emocionou toda a sociedade alencarina, e, teve na tribuna de acusação, um dos maiores nomes do Ministério Público Cearense, o promotor de Justiça Benjamim Pacheco, coadjuvado pelo brilhantismo do Assistente – advogado Aldenor Xavier. No dia 18 de agosto de 1993, numa tradicional quarta-feira. A Rede Globo de Televisão, através do Programa "Você Decide", apresentou o caso de uma jovem de nome Gisa que se apaixona por um médico de nome Dr. Roberto. O namoro ia tudo bem, quando a família da jovem descobriu que o médico era de cor morena, resolveu interferir. No final o público brasileiro através de 42.874 telefonemas, contra 16.439. opinou que no verdadeiro amor, o preconceito não deveria existir. A felicidade de alguém não está identificado através de sua cor ou credo. O preconceito é caretice e por isso deve ser afastado de todos nós que somos seguidores dos ensinamentos de Deus. (TRIBUNA DO CEARÁ, 24/03/94)

 

 

RITUAIS SATÂNICOS

José Wilson Furtado

O Jornal Tribuna do Ceará, edição de domingo, dia 10/07/94, traz uma excelente reportagem de Vólia Rocha, sob o tema: "Ocultismo na Linha do Crime". Segundo a matéria supra, o assassinato mórbido da garota Elisvânia, sacrificada pela patroa, teve incursões de magia negra. Em um dos trechos, Vólia enfatiza: "mantida em cárcere privado, sem alimentação, a garota ficou meses sob o domínio de uma verdadeira fera que sem nenhuma piedade, e, ao que tudo indica, se deliciando com suas dores, lhe impingia sofrimentos inimagináveis de serem suportados por um adulto, quanto mais por uma criança fragilizada física e emocionalmente". Tudo leva a crer, que os fluídos metistofélicos da patroa Islana Barbosa, uma grã-fina da Aldeota, levaram a desditosa criança, a uma sessão de sadismo satânico.

O sadismo é o ato de causar dor em outra pessoa, de modo intencional e repetidamente, às vezes, até alcançar a excitação sexual. Do ponto de vista semântico, a expressão remonta o Marquês de Sade, autor francês, que escreveu muitas obras sobre a crueldade, como forma de se obter a satisfação sexual. Segundo os sexólogos Master & Jonhson, em seu opúsculo. "Relacionamento Amoroso". As formas de sadismo percorrem uma escala que vai desde encenações suaves e cuidadosamente controladas, até ao crime de homicídio ou tortura por luxúria". (Master & Johnson, pag. 284). A carnificina que sofreu a menina Elisvânia, não é um caso isolado. No dia 02 de janeiro de 1994, na Cidade de Belém, foram presos dois médicos e um ex-policial, envolvido na castração de menores. Segundo a Polícia Paraense, a mulher de nome Valentina de Andrade, líder da Seita Lineamento Universal Superior, teve o seu nome envolvido com a prática de rituais satânicos. Em Maceió, 20/09/94, o Delegado Tito Cavalcante pediu a prisão provisória dos pais-de-santos, que num ritual de magia negra, arrancaram o coração do menino Ednaldo Lopes da Silva. A Polícia do Ceará tem que cair em campo e colocar as mãos nesta mulher vampira e devolver a credibilidade de todos. (TRIBUNA DO CEARÁ, 21/07/94 – Doc. 215)

 

 

FOGO AMIGO

José Wilson Furtado

A Rede Globo de Televisão, exibiu na noite do dia 08/06/94, no programa "Você Decide", o episódio "Fogo Amigo"(Friend Fire), trazendo a lume, o episódio em que o policial Macedo (Carlos Vereza) num cerco policial à marginais da Baixada Fluminense, elimina o seu melhor amigo de profissão, o Leiga (Alexandre Frota), com um tiro certeiro no coração. De modo eletrizante, o escopo do seriado era colocar o público diante de um dilema, qual seja, se o policial Macedo deveria contar a Cristina (Miriam Ramos), esposa do falecido, a verdadeira versão do crime.

Houve quem afirmasse, no caso, de uma advogada consultada pela repórter de rua, que o caso se tratava de homicídio culposo pela imprudência, visto que Macedo não se acautelou das conseqüências que poderiam ocorrer no tiroteio. Dissentimos desta ótica, e entendemos que o Policial Macedo não se incidiu em nenhum modelo típico criado pelo Legislador pátrio, vez que fora convocado por forças superiores ao cumprimento de um salutar mister de ofícios, recebendo, pois o beneplácito legal. O Código Penal Brasileiro, em consonância com a Lei nº 7.209/84 em seu art. 23. alude sobre as causas excludentes de ilicitude, e prescreve in verbis: "Não há crime: quando o agente pratica o fato: I) em estado de necessidade; II) em legítima defesa; III) em estrito Cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito". Grifos nossos.

Jamais se poderia admitir-se a figura do crime culposo, seria um verdadeiro Bisidem, para Macedo, que além de perder o melhor amigo, que o considerava como filho numa missão de serviço, arriscando a própria vida, ainda seria levado ao tribunal. Além do mais é bom não se olvidar que dada a dicotomia doutrinária, na culpa consciente o sujeito prevê o resultado, mas espera que este não aconteça. No final do programa, o público através de 46.217 telefonemas manifestou o desejo que Macedo contasse tudo a família da vítima, o que realmente aconteceu , e todos ficaram felizes no Happy end. (TRIBUNA DO CEARÁ, 20/06/94 – Doc. 207)

 

 

A GENÉTICA E A JUSTIÇA

José Wilson Furtado

O Juiz Lance Ito, que substitui a magistrada Kathleen Kennedy – Poweel, encarregado do julgamento por assassinato do ex-astro de futebol norte-americano O. J. Simpson, decidiu na tarde do dia 10/10/94, a admitir como provas os resultados dos testes genéticos. Na opinião dos defensores de Simpson, os Promotores de Justiça agiram de má fé, no sentido que a defesa não tivesse tempo de mandar fazer seus próprios testes, e para "armar-lhes uma emboscada", confrontando-os à última hora como uma avalanche de resultados.

Um dos badalados testes genéticos diz respeito a já famosa luva ensangüentada encontrada na propriedade de O. J. Simpson e que faz par com uma outra encontrada no local do crime. "O simples fato de que a acusação tenha esperado até a segunda semana de setembro não traduz em si, má fé no contexto dos fatos e das circunstâncias únicas deste caso, manifestou o Juiz Lance Ito em despacho no processo, caso Simpson. Segundo a Agência Reuter, Nova Iorque, 17/10/94, "O jogador de futebol americano O. J. Simpson e sua ex-esposa Nicole Brow Simpson discutiram na noite em que ela e um amigo Ronald Goldman foram assassinados a facadas. A informação que circulou em todos os jornais de Nova Iorque, basearam-se em dados num livro escrito por uma amiga de Nicole, Faye Resnick, que foi lançado recentemente: Nicole Brow Simpson: Um diário particular de uma vida interrompida. Uma sessão dedicada aos testes genéticos será feita ainda este ano depois da escolha dos jurados, e o julgamento está marcado no final de novembro.

Simpson é acusado de haver apunhalado selvagemente sua ex-esposa Nicole Brow e o amigo desta em 12 de junho em Los Angeles, que coincidência do destino, no Brasil esta data por efeitos de tradições folclóricas, é dedicado ao dia dos namorados. Pura ironia da vida. O mundo inteiro espera o julgamento de Simpson. (TRIBUNA DO CEARÁ, 24/11/94)

 

 

O CASO AIRTON SENNA

José Wilson Furtado

Nenhum brasileiro, por mais insensível que seja, consegue frenar o líquido lacrimal, quando a televisão exibe as imagens do dia 1º/05/94, quando o tricampeão mundial de Fórmula 1, Airton Senna, morreu, após fraturar o crânio, num acidente automobilístico, do Grande Prêmio de São Marino, às 18h.40min. (13h.40min.), de Brasília. O coração de Senna parou de bater disse aos jornalistas a doutora Maria Tereza Fiandri, Diretora do Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Maggiore, de Bolonha, uma hora antes.

Por coincidência do destino, no dia 1º de maio de 1987, na mesma curva de Tamburello, onde Airton Senna acabou morrendo, o brasileiro Nelson Piquet espatifou sua Williams, durante a primeira sessão para o GP da Itália daquele ano. Piquet sofreu traumatismo craniano e entorse no tornozelo esquerdo, com perda parcial da memória, sendo levado em seguida para o Hospital da Bolonha. Muitos comentaram sobre a predestinação, fato refutado por Galvão Bueno, no especial levado pela Rede Globo, Globo Repórter, dia 06/05/94, a verdade é que, no dia anterior Airton Senna ficou abalado com a morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger e estava com mau pressentimento na corrida de domingo. Afirmou sua namorada Adriane Galisteu, em ligação telefônica para a família. Segundo informações da agência AFP, o juiz italiano que cuida do acidente que provocou a morte do piloto Ayrton Senna, no Grande Prêmio de San Marino em Ímola (Itália), está em posse de uma fita de vídeo com imagens registradas pela câmara de bordo de sua Williams-Renault segundos antes da sua batida, segundo uma fonte bem informada em Roma.

A revista italiana "Autosprint" publicou também esta informação em sua edição da semana 11 a 17 de outubro/94, indicando que a fita foi enviada na ocasião do grande prêmio da Itália, em Monza, no dia 11 de setembro, ao juiz Maurizio Passarime pela escuderia inglesa.

Muita coisa existe parada no ar e o povo precisa saber. (TRIBUNA DO CEARÁ, 03/11/94 – Doc. 241)

 

 

GANGUES ASSASSINAS

José Wilson Furtado

De acordo com o estudioso D. C. Miller, citado pelo professor Arthur T. Jessild, in Psicologia da Adolescência, a delinqüência dos bandos formados por adolescentes que se reúnem nas esquinas e nas ruas das áreas habitadas pelas classes inferiores, diferem da subcultura delinqüente que surge nas áreas em que há um conflito entre a cultura da classe média e das classes inferiores, e onde os membros destas últimas violam deliberadamente as normas de conduta da classe média. O modelo do rapaz valente, duro, intimorato, fechado, hábil nas brigas corpo-a corpo é representado pelo gangster cinematográfico "dos anos 30" (Miller, D. C. Industrial Sociology Apud – Psicologia da Adolescência", Arthur F. Jessild, Companhia Editora Nacional, S. Paulo, 1989, pág. 410).

As manchetes policiais de todos os quadrantes do País, estão recheadas sobre gangues de adolescentes que se aglutinam em nefastas "Falanges" e com técnicas de esportes marciais violentos, ceifam vidas de inocentes vítimas. No Bairro de Vila União, o jovem Gildevam Silva Leite, fora assassinado com várias punhaladas no peito, por um integrante de gangue que atua naquele recôncavo. No último dia 20/09/94, depois de 28 horas de julgamento, o Tribunal Popular do Júri de Brasília, condenou a 20 anos de reclusão, o praticante de lutas marciais Gengis Keine Braga Barcelos de Brito, 19 anos, líder da gangue Falange Satânica, pela morte do estudante Marco Antônio de Velasco e Ponte, trucidado em agosto do ano pretérito. Gengis Keine, em agosto de 1993, espancou até a morte o pobre estudante Marco Antônio Velasco, contando em uma ação lucifênica com a participação acolitaria de: Luciano Pinheiro de Sousa e Francisco Rivelino. De modo flácido, a defesa de Gengis Keine, filho do Delegado de Polícia Osny Romualdo de Brito, alega que não houve a incidência do "animus necandi", isto é, a vontade deliberada de matar. O Conselho de Sentença, não aceitou nenhum capiderismo e condenou o homicida. Seria bom que o Tribunal do Júri de Fortaleza, abolisse o lenço da pieguice e tomasse o julgamento de Brasília como lição. (TRIBUNA DO CEARÁ, 13/10/94 – Doc. 237)

 

 

A UNIVERSIDADE DO CRIME

José Wilson Furtado

O conceituado jornal "O Globo", em sua edição do dia 15/08/94, no editorial intitulado "de menor a bandido", comenta sobre menores assassinos que aparecem com freqüência na crônica policial do Rio de Janeiro. A qualquer pretexto, o menor puxa o gatilho e elimina sua vítima, impiedosamente, com características de verdadeiro gangster.

Foi o que mostrou o episódio, que culminou com a morte de José Carlos Madeira Serrano, ex-diretor do Banco Central. Recentemente, a antropóloga Alba Salur, lançou sob os auspícios da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o livro "Condomínio do Diabo", onde de maneira metódica, menciona a facilidade com que os menores, hoje em dia são cotados por organizações criminosas. A partir dos 10 anos já encontram trabalho na vasta engenharia do tráfico de drogas. Com pequenos serviços para os traficantes, podem ganhar experiência muito depressa; cinco ou seis anos depois, eis o aprendiz transformado em bandido completo". O texto diz ainda que: "esse é o mecanismo que veio eliminar da paisagem dos morros a figura do velho malandro, marginal pitoresco e de baixa periculosidade. A máquina que o substituiu tem longos braços, e nenhuma dificuldade de recrutar mão-de-obra infantil, porque, na nossa estrutura social, os meninos precisam trabalhar".

O menor M.B.F., o ratinho de 15 anos, confessou ter sido o autor do disparo que matou o ex-diretor do Banco Central, José Carlos Madeira Serrano, de 64 anos, na madrugada de domingo, dia 04/09/94, no Centro do Rio de Janeiro. Na presença do promotor de Justiça Márcio Mathe Fernandes, confessou a prática do crime e disse com detalhes que se irritou porque Serrano não quis entregar as chaves do carro. Critica-se a legislação pelo abrandamento aos menores. Certa vez, assisti à uma cena de assalto na Praça do Coração de Jesus, indaguei ao tenente o porquê da inoperância policial, no que o aguazis respondeu: "Doutor Wilson, eu não sou doido, se eu tocar neste menor, amanhã perderei a minha farda". (TRIBUNA DO CEARÁ, 22/09/94)

INFLUÊNCIA DA TELEVISÃO

José Wilson Furtado

Há quem diga, fazendo um jogo jocoso da máxima de Lavoisier, que na natureza, nada de cria, tudo se copia. A Revista Isto É, edição do dia 12/04/95, traz a reportagem intitulada "Cena Fatal", aludindo sobre o caso da menina Stephane Benevuto Gonçalves, de apenas oito (anos) de idade, que apaixonada pelo personagem Raí, da novela Quatro por Quatro, da Rede Globo de Televisão, tentou imitá-lo numa cena de enforcamento, não obtendo êxito, vindo a falecer, por asfixia mecânica, segundo a conclusão dos expertos esculápios do IML de São Paulo.

Já tive a oportunidade de levantar a minha voz, através de Programas radiofônicos. "Você e o direito, pela Rádio Dragão do Mar e Sertão Central, sobre a nefasta influência que a televisão exerce sobre a juventude brasileira mostrando desde os filmes violentos infantis, como He-Man, Falcon etc., até as promiscuosas e peçonhentas novelas, que mostram cenas de adultério e sexo explícito e em pleno horário nobre, sem que haja qualquer vigilância. Para o psicólogo infantil Bruno Botteklein, a tarefa mais importante e mais difícil na educação de uma criança é ajudá-la a encontrar os significados da vida". (O Globo, 09/07/90). Em Canindé, a 120 Km da Grande Fortaleza, o estudante Pedro Victor Sampaio, de sete anos de idade, morreu eletrocutado, depois de assistir ao Programa "Chapolim", da Rede SBT. No programa em alusão, um dos personagens metia o dedo numa tomada de eletricidade e ficava apenas se tremendo. O mesmo não aconteceu com o menino Pedro Victor, que ao tentar imitar seu personagem, foi jogado ao solo, recebendo uma descarga elétrica. Para o professor Valdemar Setzer, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, a televisão é altamente perigosa e seu efeito é semelhante a uma bomba atômica. Senhores pais, cuidado com a babá eletrônica. (TRIBUNA DO CEARÁ, 03/07/95 – Doc. 289)

 

 

PICARETAS MODERNOS

José Wilson Furtado

A Revista Veja, edição do dia 05/07/95 traz em suas páginas amarelas, uma entrevista com o cantor Herbert Viana do Grupo Paralamas do Sucesso. Tudo surgiu, quando da apresentação do Grupo, na sexta-feira, dia 23/06/95 em Brasília. A música Luiz Inácio (300 Picaretas), foi proibida por ordem judicial de ser executada, por entender o Procurador Parlamentar da Câmara dos Deputados, Bonifácio de Andrade (PTB/MG), que a composição em sua letra, tinha o escopo de aviltar os membros da Câmara Baixa.

No decorrer da entrevista, respondendo a uma das indagações, Herbert Viana comparou Brasília com a Disneylândia, pois recorda de sua infância e lembra do brutal assassinato de Ana Lídia, que ficou no esquecimento, dada a impunidade que vigora no País. Assiste razão ao roqueiro, em nosso artigo intitulado "Império da Impunidade", Tribuna di Ceará, dia 17/02/94, fizemos uma abordagem deste quadro vergonhoso: "Com a prescrição, a justiça não poderá mais punir os autores do assassinato de Ana Lúcia Braga, de sete anos de idade, encontrada nua e estrangulada no dia 12 de setembro de 1993. Os principais suspeitos, Álvaro Henrique Braga, Alfredo Buzaid Júnior e Eduardo Ribeiro de Rezende, filhos respectivamente do Ministro da Justiça, foram absolvidos por falta de provas.

Portanto, a proibição da música, dos Paralamas do Sucesso, remonta ao nefasto da censura ou tesoura do absurdo, abolido pela Nova Carta Magna, que no art. 5º, Inciso IX prescreve in verbis: "É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Grifos nossos.

Em 1962, período dos verdugos censores da Polícia Federal, Juca Chaves lançou a música "Caixinha Obrigado", um grito contra as mordomias que estavam ocorrendo em nosso País. Os picaretas continuam. Aliás, certa vez o ex-governador Manoel de Castro falou sobre a abertura moderna: "O cabaré pode ter mudado mas as madames continuam as mesmas". (TRIBUNA DO CEARÁ, 09/07/95 – Doc. 290)

 

 

A LAMA COMO DROGA

José Wilson Furtado

Nem crack nem cola de sapateiro. Os meninos de rua de algumas capitais do Nordeste começam a chegar a situações ainda mais extremas de degradação. Em Teresina, há casos de crianças que se drogam com lama nas veias, um recurso de fuga da realidade, cujos efeitos os especialistas ainda não conseguiram explicar.

Em Fortaleza e Recife, eles passaram a aspirar esmalte de unha, que legalmente não é entorpecente. As autoridades do Piauí estão perplexas. A lama nas veias, já causou pelo menos uma morte por septicemia. Recentemente, o assunto foi debatido no Conselho de Entorpecentes da Secretaria de Saúde do Estado e foi confirmado por crianças e adolescentes entrevistados por assistentes sociais no Hospital Psiquiátrico Aerolino de Abreu, que recebe meninos de rua encaminhados pelo Serviço Social do Estado, pela Pastoral da Criança e pelo Projeto Casa Escola. Eles raspam a argila, misturam com água, colocam na seringa e aplicam. Além da contaminação de doenças como Aids, os meninos estão sujeitos a infecções generalizadas e a morte, alerta Assis Santos Rocha, diretor do Hospital Aerolino Abreu. A Psicóloga Alzira Carvalho, Coordenadora de Saúde do Piauí, também confirmou os relatos. Ela atendeu um viciado de 20 anos, que morreu de septicemia em função do uso indiscriminado de drogas. Somente depois que o rapaz faleceu, sua mãe confirmou que ele usava lama nas veias, "para viajar".

A professora Eugenia Pereira, Bióloga do Laboratório de Bioquímica da UFPE, levantou três possibilidades. Ela disse que o lodo encontrado na lama é um tipo de alga ou diversas algas reunidas. Elas têm propriedade de absolver poluentes com grande facilidade, e poderiam armazenar substâncias tóxicas que provocasse efeito alucinógeno, descrito pelos meninos entrevistados. É mais um quadro deprimente que atinge às nossas crianças e temos de combatê-lo antes do holocausto total. (TRIBUNA DO CEARÁ, 20/07/95 – Doc. 292)

 

 

A EXCITAÇÃO FETICHISTA

Na Cidade de Salvador, o faxineiro César de Jesus Oliveira, de 20 anos de idade, que trabalhava na Lavanderia do Hospital Sagrada Família, seu comportamento esdrúxulo o levou à cadeia: ele foi preso pelos aguazis da gerência pública baiana, sob a acusação de roubar calcinhas das médicas, enfermeiras e funcionárias do Hospital em alusão. Os agentes da 3ª Delegacia de Polícia de Salvador encontraram 44 calcinhas no armário do faxineiro.

Ao delegado Manoel Amado Bahia, Oliveira confessou sua atração por roubar pecas íntimas femininas. Ele contou que se escondia sob a cama de uma sala do plantão do hospital, onde as funcionárias do turno trocavam de roupas e tomavam banho, e na hora de folga, apanhava as calcinhas sem ser notado. As empregadas do hospital perceberam a falta das peças íntimas e comunicaram o fato à Polícia que prendeu o pobre faxineiro. César de Jesus Oliveira foi autuado em flagrante por furto e atentado violento ao pudor, além de ser demitido por justa causa. Apesar de tudo, o delegado Manoel Bahia, em entrevista à Rádio Sociedade, enfatizou que o faxineiro não parecia ser um homem perigoso, é mais um caso médico do que de polícia, finalizou. O fetichismo, como lecionam Master & Johnson, é a excitação sexual.

Ocorre, sobretudo em relação a um objeto inanimado ou a uma parte do corpo que não é de natureza sexual. Os fetichistas colecionam, em geral, esses objetos e são capazes de tudo, até roubar, para acrescentar, exatamente o tipo certo do produto para sua coleção. (Master & Johnson, "O relacionamento amoroso", Editora Nova Fronteira, loc., cit. Pág. 378). A novela Renascer, da Rede Globo, apresentou o coronel Teodoro, interpretado por Herson Capri, que na sua sede fetichista pela mulher Joaninha, esposa de Tião Galinha (Osmar Prado), subtraía peças íntimas da pobre mulher para reaver suas energias sexuais. Meninas, cuidado, pois os fetichistas estão soltos e podem atacar a qualquer momento.

 

 

JESUS NA INFORMÁTICA?

José Wilson Furtado

Recentemente, em Bonn, na Alemanha, segundo Agência Reuters N.B.C., o estudioso Hartmut Landwer, criou uma programação de computador, intitulada, "Linha Direta com Deus", que substituirá a tradicional confissão. Pelo sistema de informática alemão, diz Hartmut, o homem, poderá comunicar-se com Deus, através de um simples softwar, isto é um disquete, utilizado em qualquer computador 486, não importando os Bytes de memória. Num gerenciador de programa, a estilo do Windows de Bill Gates, o pecador poderá escolher, ao seu alvedrio, a graduação de suas transgressões e deletá-lo, que em linguagem cibernética significa apagar.

O programa eletrônico, chega a calcular a sodimetria do pecado. Sobre esta polemica, entrevistamos, em nosso programa na Rádio Dragão do Mar, o emissário Di Paula, que foi enfático: "O homem que diz, comunicar-se com Deus, através de um computador, não conhece as Escrituras Sagradas. Trata-se, pois, indubitavelmente, de mais uma artimanha do príncipe das trevas, que vem granjeando adeptos. A Escritura Sagrada traz uma lição salutar, quando se reporta ao tema à baila: "Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Homem" (1º Tim, Cap. 2, v.5). Respondeu-lhe Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vem ao Pai, senão por Mim" (João, Cap. 14, v. 6). Pelo sistema de computação alemão, que já sendo introduzido na Europa, a Bíblia é um livro obsoleto e usado somente para pesquisas.

Nos dias hodiernos é preciso orar e vigiar, pois os meios de comunicação, a todo instante distorce a verdade de Deus. Certa vez, assisti a uma cena de uma determinada igreja, onde o cidadão, em frente a uma câmara de televisão, declarava que deu o seu carro do ano a Jesus e no dia seguinte outro caro semelhante ao primeiro, estava na garagem. O Deus que me ensinara a seguir não tem tesouros na terra nem programa de televisão ou mídia eletrônica. É o final dos tempos. (TRIBUNA DO CEARÁ, 30/11/95 – Doc. 311)

 

 

O DIREITO DE MORRER

José Wilson Furtado

Li, com espanto, a reportagem publicada na conceituada revista Isto É, sob o título "A Prática da Morte", e confesso com pureza da minha alma que fiquei estarrecido. Médicos brasileiros, sem qualquer escrúpulos ou sentimentos de solidariedade, opinam ser favoráveis à nefasta prática da eutanásia, e, com melífluas argumentações, alegam que em certos casos era necessária a administração da droga M1, conhecida no submundo da máfia branca como "sossega-leão", uma vez que ela dopa o paciente e depois contribui lentamente para a sua morte. Um absurdo e até parece que o celebérrimo juramento de Hipócrates é um mero discurso acadêmico. É bom não se olvidar que a eutanásia, conhecida pela paradoxal perífrase de "Morte Digna", é um desrespeito à vida e constitui, de modo indubitável, o crime de homicídio, regulado no art. 121 do Código Penal Brasileiro, levando seus autores ao Tribunal Popular do Júri. A Esdrúxula aplicação da eutanásia nos Estados Unidos, vem preocupando estudiosos e curiosos. Segundo a Agência AFP, pelo menos 16% das enfermeiras americanas especializadas em cuidar de doentes terminais já praticaram eutanásia ou ajudaram o paciente num suicídio, segundo uma pesquisa polêmica publicada no dia 22/05/96, no "New Engand Journal of Medicine – NEJM".

Segundo a pesquisa, 17% das 852 enfermeiras especializadas em cuidar de pacientes terminais disseram que já receberam ordens para desligar os aparelhos aplicando uma dose letal de morfina, para evitar o martírio da família. Nunca me esqueci da madrugada do dia 30/07/87, quando eu fui chamado por uma enfermeira do Hospital Batista, dando conta que meu velho pai estava num balão de oxigênio. Como um louco corri aquele nosocômio e recebi de uma enfermeira a triste notícia: lamento meu jovem, seu pai acaba de falecer, ele lutou muito, lamento, fizemos de tudo, mas não conseguimos salvar seu pai. O mais cruel, naquele dia, eu queria pelo menos falar com papai pela última vez. (TRIBUNA DO CEARÁ, 02/08/96 – Doc. 347)

 

 

TERRORISMO PELA INTERNET

José Wilson Furtado

Tornou-se comum no bate-papo coloquial, o tema Internet, até advogados ficam birutas na frente do computador, como é o caso do talentoso Dr. Teodulfo, Procurador do IPEC. Tem gente que fica totalmente lunática, e esquece totalmente aquilo que está ao seu redor. É o avanço da tecnologia do software. Embora, esta coqueluche salte aos olhos de todos, é bom não se olvidar que a Internet surgiu no ano de 1969, a partir de um projeto da U. S. Departament of Defense, chamado Arpanet (Advanced Reseach Projects Agency Netword). O Arpanet foi lançado como pesquisa pioneira para testar redes do tipo "Packet Switching, e proporcionava ligações entre pesquisadores e centros remotos de computadores (Cf. Nade Easy: The Basic & Beyond, apud Sheldow Tom, Windows 95, loc. Cit., pág. 538). Ocorre, porém, que existem sádicos que se utilizam da Internet para meios mórbidos, tais como prostituição visual, indução de pedofilia visual, nudismo da Playboy e práticas terroristas, que é o tema do assunto. A Agência AFP, de Paris, publicou recentemente a seguinte matéria: "Os aprendizes de terrorista se formam pela Internet". Como fabricar uma simples garrafa incendiária ou uma elaborada bomba de napalm, passando pelos pacotes-bomba, é uma das informações que a rede Internet coloca à disposição de todo o mundo através do manual de base do aprendiz de terrorista. Disponíveis no World Wide Web, o setor "Grande Público da Internet, fórmulas freqüentemente caseiras permitindo ao neófilo, iniciar-se na manipulação da nitroglicerina ou fabricar um pacote bomba. Segundo rumores que correm nos Estados Unidos, as fórmulas seriam obra de um agente da Cia (o serviço secreto norte-americano), que teria introduzido erros de forma voluntária. O chefe do esquadrão antibombas do Rio de Janeiro, Carlos Monteiro, explicou que a divulgação, via Internet, de manuais para a construção de bombas, pode ser uma forma de incentivar jovens à violência. É preciso tomar cuidado, porque a prática de um hobby pode ser fatal. (TRIBUNA DO CEARÁ, 19/06/96 – Doc. 354)

 

 

CASO WATERGATE

José Wilson Furtado

O talentoso Oliver Stone, mais uma vez passa a ser discutido na imprensa de todo o País, em torno de seu novo filme, Nixon, que recebeu o roteiro de Stephefen J. Rivie & Chistopher Wilkinson. O filme relata do polêmico presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, um advogado do Interior do País, que pouco a pouco e muito mais derrotas que vitórias, com perseverança se tornou o Presidente da Nação mais poderosa do mundo, e depois de um escândalo, foi obrigado a renunciar, para poder salvaguardar seus direitos. A notícia sobre o caso Watergate abalou todas as pilastras do mundo, e, no Brasil, o grande locutor Heron Domingues, a voz maravilhosa do tradicional Repórter Esso, deu a manchete, no programa Globo Repórter da Rede Globo, morrendo uma semana depois, tamanha a comoção da matéria. Os norte-americanos Woodward e Carl Bernstein são provavelmente, os pioneiros na introdução da mídia jornalística, na vida de um país.

O arrombamento do Watergate em 1972, culminando com a renúncia de Nixon na Presidência dos Estados Unidos da América, em 1974, foi minundentemente contada no livro "Todos os homens do Presidente", um trabalho de reportagem investigativa e influência positiva da imprensa na vida de um dirigente. A obra tornou-se um best-seller, e foi levada ao cinema, na interpretação de dois monstros da sétima arte; Dustin Hofman e Robert Rudfor. Recentemente, quando esteve no Brasil, para falar sobre jornalismo e Watergate, Berstein elucidou: "Quaisquer que sejam hoje as relações entre mídia e Governo, com certeza elas não são boas. Eu diria de fato que a imprensa vive tempos extremamente difíceis em todo o Ocidente (Jornal Estado de São Paulo, 28/11/96). Não se pode olvidar, que na década de 70, os jornalistas Woodward e Bernstein tornaram-se famosos, ao desvendar nas páginas e "The Washington Post", os detalhes do escândalo Watergate. Nesta época, eu era apenas um humílimo estudante do Liceu, onde o universo de minha carreira profissional ainda era uma nuvem plúmbica. (TRIBUNA DO CEARÁ, 12/12/96 – Doc. 366)

 

 

VALE A PENA SER BANDIDO?

José Wilson Furtado

Ninguém esquece a frase do bandido Lúcio Flávio, o antonomástico, "Passageiro da Agonia", vivido pelo ator Reginaldo Farias; "Bandido é Bandido, Polícia é Polícia". Quem tem a oportunidade de visitar um presídio pode aquilatar que mundo cruento é aquele, circunscrito em quatro paredes. Tudo é um místico mistério de solidão e dor. O cantor Lindomar Castilho traça um perfil iniludível do presidiário, na música, "Muralhas da Solidão", onde o toque do silêncio, dilacera a alma daquele que perdeu a liberdade. Feliz é o homem, que no oceano de lamúria, e, submerso a flama criminógena, pode sofrer a transformação dos céus e receber a dádiva de tornar-se um novo homem, abandonando a vida trepidante do crime e seguir Jesus como seu único Salvador, e, neste aspecto, poderíamos citar, Camilo, Vantuil e tantos outros, que ao invés de colocar um colt na cintura, conduz o Evangelho maravilhoso do Senhor dos Exércitos. A imprensa mostrou a todos os quadrantes, a carnificina executada no Centro Penitenciário Agroindustrial de Goiás (Cepaigo), onde o famoso bandido Leonardo Pareja foi brutalmente executado por detentos, recebendo oito (8) tiros de pistola 45, além de três (3) facadas, segundo informações do esculápio Vicente da Silva, diretor do IML de Goiânia.

Ironia do destino ou a predestinação de que na ilação bíblica o salário do pecado é a morte? Pareja como ficou conhecido, ficou famoso, isto porque em meados de abril de 1996, foi capa especial da Revista Veja e Isto É, quando comandou a rebelião que fez refém toda a cúpula da Polícia Judiciária de Goiás. Logo depois, Pareja tornou-se um homem respeitado, quando em maio de 1995, voltaria a liderar uma rebelião do Cepaigo, onde fugiriam 40 presos. Várias versões surgiram em torno de sua morte, e o mais curioso, Pareja foi executado pelo marginal Eduardo Siqueira, considerado o braço direito de Pareja. Que o desenrolar de todo este sinótico caso, sirva de lição e o coloque sob a indagação: "Vale a pena ser bandido?" (TRIBUNA DO CEARÁ, 19/12/96 – Doc. 367)

A CADEIRA ELÉTRICA

José Wilson Furtado

O Programa Fantástico, do dia 25 de maio de 1997, mostrou numa reportagem de Roberto Cabrini, o jovem brasileiro que está incluído na lista do corredor da morte, na nefasta execução sumária da cadeira elétrica na Flórida. A horrenda carnificina somente não teve início porque a Corte Suprema da Flórida ordenou uma suspensão de quatro meses, das execuções da cadeira elétrica, enquanto prossegue o debate se esse sistema provoca castigos cruéis ou extraordinários nos condenados. A polêmica em torno da cadeira elétrica eclodiu quando durante a execução do imigrante cubano Pedro Medina, surgiram chamas de 30 centímetros de sua cabeça. A cena ocorrida em Jocson Ville (Flórida), revoltou ao mundo todo. A suposta crueldade da cadeira elétrica da Flórida, batizada pela expressão: "OLD SPARKY" (velha fagulha), foi tema de debates calorosos, depois da execução de Medina, ocorrida no dia 25 de março de 1997, condenado pelo assassinato de uma professora. Quando o médico se aproximou do executado, seu coração ainda batia e no espanto o esculápio disse: "Meu Deus, ele ainda está vivo."

Os incidentes durante a execução de Medina iniciaram a polêmica em torno da cadeira elétrica da Flórida, o que não foi mostrado na telinha do plim-plim, onde, na prisão de Starke (norte da Flórida), construída em 1923, mais de duzentas vítimas já tombaram. O Procurador Geral do Estado da Flórida (District Attorney), Bob ButterWort, aceitou a possibilidade de desativar a cadeira elétrica, quando em uma mensagem à legislatura estatal, foi proposta a substituição pela injeção letal de efeitos mais suaves. O representante republicano de Saint Petersburg, Victor Crist, em polêmicas declarações ao jornal "Saint Petersburg Times", chegou a propor a importação da guilhotina para a Flórida, uma prática usada em meados de 1789, com a tradicional Queda da Bastilha, da Revolução Francesa. Diante de tudo isto, fazemos uma reflexão: até que ponto, os ensinamentos de Cristo estão sendo colocados em prática? (TRIBUNA DO CEARÁ, 05/06/97 – Doc. 391)

 

 

 

 

 

ERRO JUDICIÁRIO

José Wilson Furtado

O Jornal Nacional da Rede Globo, edição do dia 09/11/98, mostrou a todo o País, o caso do jovem Ronaldo Medeiros, que ficou preso durante cinco anos, sem que houvesse praticado crime algum. O próprio Promotor de Justiça da Vara do Júri da Comarca de São Paulo, Aldenor de Oliveira Neto, lamentou o engano e, agora se transformou de órgão acusatório em testemunha de defesa, no pedido de Revisão Criminal, numa prova inequívoca que nem sempre o ministério público é verdugo órgão acusador.

O caso mais famoso de erro judiciário no Brasil foi o dos irmãos Naves, ocorrido em Araguari (MG), em 1937. Joaquim e Sebastião Naves eram sócios em um armazém e foram acusados de assassinar o primo Benedito Pereira Caetano. Uma testemunha acusou Joaquim. Os dois irmãos foram presos e torturados. A mãe deles fora presa e espancada, sob a prática de tortura, muito comum na época do getulismo, ela acabou admitindo a culpa dos filhos. O mesmo ocorrendo com os outros parentes dos acusados. Apesar dos depoimentos contraditórios, os irmãos Naves foram absolvidos, pois o corpo de Benedito jamais fora encontrado. O Tribunal de Apelação, na época, sob ingerência política, acabou condenando os irmãos Naves à pena de 25 anos de prisão. Nove anos depois (nine years later) eles conseguiram sair da cadeia. Porque além de serem inocentes, nem sequer houve assassinos. Sebastião conseguiu encontrar o morto que simulara e retornar à fazenda dos pais, em Nova Ponte (MG). Chorando, Sebastião abraçou o primo e o levou de volta à cidade para provar sua inocência.

Em Santo André, 08 de janeiro de 1997, depois de permanecer preso 99 dias, por engano, o pintor de paredes José Pereira Mesquita